quarta-feira, 11 de maio de 2016

qual o projeto para amanhã?

Entre os estudos de Inglês e Espanhol, leitura de livros e artigos científicos, planejamento de aulas e acompanhamento da atual conjuntura política do país, emerge das profundezas do livro que estou lendo a seguinte reflexão: "Tanto quanto o ar e os alimentos são imprescindíveis para a manutenção da vida em sentido biológico, os projetos o são para a existência de uma vida plena, em sentido humano. Continuamente, os projetos nos alimentam, nos impulsionam para a frente, nos mantêm vivos. As utopias constituem inspirações para projetos, contribuindo para uma articulação fecunda entre aspirações individuais e coletivas". (Nílson José machado - Cidadania e Educação - 2002).
Falar em projetos como o autor citado acima fez me provocou uma ânsia de amanhã, ânsia de mudança, ânsia de resgate daquela jovem que saiu do interior, viveu na capital e agora retorna ao interior pra tentar conseguir mais do que capital financeiro. Penso em tudo que me trouxe até aqui e quis são os projetos para o futuro? Me parece que mesmo com todas as dificuldades em torno da realidade cotidiana que alimentar o corpo é menos difícil que alimentar a alma. Então, escuto uma música que me toca o coração só pra tentar me reinventar enquanto humana utópica. Em essência é a utopia de um mundo melhor que me faz acordar com esperança e ter dificuldade em dormir porque ainda falta muita coisa para conquistar, melhorar, enfrentar...
E amanhã? Qual é o projeto que nos mobilizará? O que nos vai impulsionar?
estou acompanhando as notícias pela tv, pelas redes sociais e coloquei a música para repetir. A lição de inglês e espanhol eu já conclui. Mas e os projetos para o futuro, como eles ficaram? Como ficarão? Tenho que alinhavá-los, confeccioná-los. Mas eu não estou solta no mundo, não sou uma ilha deserta. Se você estiver comigo então os projetos podem se fortalecer. Mas eu, sozinha, só sei sobreviver.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

andarilha

...hoje é sobre mim:
nasci no interior da Bahia. Morei na capital do Espírito Santo e atualmente exerço minha profissão de volta ao interior (de Minas Gerais).
As madrugadas que outrora eram preenchidas de um sono profundo - quase um conto de fadas - têm sido mais claras que os dias mais ensolarados do verão passado.
Leio um capítulo de um bom livro, mas não consigo me concentrar. Deito. Fecho os olhos. Me aqueço. Mas nada disso adianta.
A mente permanece ligada, eletrizada, incendiada de questões: estou cumprindo o meu papel? como posso ser melhor? é uma agonia que só!
Então vem à tona a vontade de voltar, de largar tudo, de me anular.
E em seguida a consciência de que é preciso seguir, de que se eu vim até aqui não adianta mais olhar pra trás, tenho que ir até o fim. Já cantou HG.
É... eu avisei que hoje eu iria falar de mim. Se quiser, pode ir. Não se preocupe: não vou guardar mágoa, nem sei mais se eu sinto a sua falta. Meu destino é andar. Odeio correntes e limitações. O céu é o limite?
Corre sangue baiano nessas veias, embora eu não goste de acarajé, nem de pimenta, nem farinha, nem de axé, nem da capital do meu estado...
Passar quase três anos na capital capixaba me fez mudar mais do que eu poderia supor, o casco endureceu e amoleceu e ficou nesse efeito sanfona por um bom tempo. Mas as raízes permaneceram - ou será que algo escapou e eu não me dei conta?
E durante esses quatro meses em que estou no interior mineiro me vi do avesso com tanto aconchego. Por isso a vontade de melhorar, de superar obstáculos, de amparar... Como toda boa mãe faz. Mas que engraçado, eu não sou nada: não passo de uma professora que se questiona, que repensa sua prática docente, que ama a docência e então eu percebo que por mais que eu creia, isso não é sobre mim.
Não é por mim, no final das contas. É por eles. percorrer o mundo me faz ser melhor por eles, para eles e com eles.
Mas ainda tenho tanto que caminhar... a jornada é lenta e cada dia é um caminho diferente, embora eu pense que sempre irá voltar pro mesmo lugar.
Eu, e minha sina: ser uma andarilha, pequena abelha polinizadora de sonhos.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

depois de ontem


Hoje é resultado de ontem que trará consequências para o amanhã e provavelmente nem eu nem você estarems aqui para ver. Mas, refletindo sobre o que aconteceu ontem, chego à conclusão de que estou com medo não só desse futuro incerto no qual podem ressurgir sombras do passado perseguindo e matando a verdade.
Especialmente hoje o meu medo é desse momento atual, do tanto de gente que aplaudiu o discurso de Jair Bolsonaro ontem durante o processo de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Queria simplesmente não ter conhecimento, queria beber da água da ignorância, estar à margem de tudo isso, não me importar, queria não saber que a Ditadura Militar foi um dos piores (senão o pior) momentos que o Brasil vivenciou, só pra não ligar para o que aconteceu. Vejo pessoas retomando a vida num boa, tranquilas, como se nada as atingisse. Tenho inveja delas: hoje eu quase não consegui viver, me sentia desolada, parecia que estava de luto. E estou. Por todos que sofreram e lutaram e morreram durante a Ditadura Militar, estou de luto, porque ontem, aquele infeliz, canalha foi aclamado, aplaudido e ovacionado com seu discurso homenageando os militares de 1964, e em especial a um torturador da Ditadura. Meu Deus! Ainda não acredito que vi/ouvi isso! estou perplexa como um cara desse ainda tem apoio do povo? Não. Eu não quero viver para reviver os horrores da Ditadura Militar. Não, eu não quero viver num país em que muitas pessoas apoiam esse crápula. Não. Meu voto é não! E não venham pra cá com 'discursinhos' de falsa moral. Eu quero que esse Deus de vocês esteja muito, muito, mas muito longe de mim, porque eu O odeio e odeio também todos aqueles apoiam torturadores, que agem como torturadores, que votam em torturadores. Aonde Jair Bolsonaro e sua corja estiver, eu estarei do lado oposto! E como eu vi numa imagem qualquer com ao foto do Marighella do lado: "A única luta que se perde é aquela que se abandona". Então, foices e martelos na mão, vamos à luta!






terça-feira, 12 de abril de 2016

Parte II

Os primeiros raios solares apareciam timidamente indicando o início da manhã.
Ana abriu os olhos e imediatamente se deu conta da claridade matinal, sentindo uma pontada de saudade do escuro da noite que passara. Agora era hora de voltar à vida real.
Vagarosamente olhou para o lado e sentiu um calafrio percorrer-lhe todo o corpo: a noite anterior, ao lado daquele moço de olhos claros e sorriso largo que conhecera no voo da sua primeira vagem internacional, tinha sido uma das melhores que conseguia se lembrar durante essas três décadas vividas. Ela notou que ele parecia tão confortável ao seu lado e continuava iluminando tudo ao seu redor, mesmo com os olhos fechados e o sorriso desfeito. Mas, por alguns instantes, admirando-o dormir Ana percebeu um singelo sorriso no canto dos lábios daquele moço. Nem dormindo ele deixava de sorrir-lhe.
Vagarosamente Ana levantou-se tentando fazer o menor ruído possível, sem tirar os olhos dele. Seu pensamento vagava, mal poderia acreditar que havia se passado dois anos desde que eles se conheceram naquele avião. Mas ela precisava seguir sua viagem de volta. E ele, infelizmente, não caberia na sua bagagem. Um lágrima desceu sob sua face enquanto ela trocava de roupa e mais outra quando ela olhou o relógio se dando conta de que não poderia ficar ali nem mais um minuto.
Ana quis se despedir, afinal, não saberia quando iria encontrar de novo aquele moço de olhos claros e sorriso largo. Mas corria o risco de perder o horário caso o acordasse para as formais despedidas, que poderiam acabar não sendo tão formais assim. Ela decidiu sair de uma vez.
Antes de bater a porta, ao invés de dizer adeus, ela disse apenas:
- Até mais.
E pensou: "que possamos um dia nos ver de novo, meu moço".
Como saiu às pressas não conseguiu ouvir o que ele respondeu, mesmo sonolento:
- Ainda vamos nos encontrar de novo, minha moça".
Então ele fechou os olhos.

E dormiu.


Fim.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

À primeira vista

Quem me conhece sabe que não costumo escrever contos, nem ficção. Embora adoraria.
Só escrevo sobre o que se passa aqui no meu coração. São tantos conflito e confusões.
Mas hoje resolvi me recriar, me repaginar. (Nem estou conseguindo acreditar).
Hoje não vou falar de mim... (Ai, será que vou conseguir?)
Vou me permitir escrever para além de mim...
E, sinceramente, não espero que gostem.
Só espero que a história floresça. Ela não precisa ser lida. Eu só preciso que ela aconteça:

I parte

Era a sua primeira viagem para o exterior. Ana sempre acreditou que quando esse momento chegasse, estaria segurando nas mãos do amor de sua vida, contemplando ao seu lado, as maravilhas de poder ver pela janela do avião um outro país se aproximando. Mas, diferente do que ela imaginou, a poltrona do seu lado estava completamente vazia. Entretanto, não apenas por isso ela se sentia sozinha: aquela era uma viagem só de ida. Pretendia permanecer fora do país por mais de um ano.
Antes de ajustar o cinto de segurança, aquele moço de olhos claros e sorriso largo se aproximou. Ela jamais vai compreender se aquilo foi amor à primeira vista, ou apenas encantamento. De fato, desde que ele surgira ela simplesmente não conseguia parar de olhá-lo. Principalmente quando ele lhe disse com a voz mais suave que ela jamais imaginara:
- Com licença, moça, parece que vamos ser colegas de voo. Ele disse mostrando sua passagem com o número da poltrona. Bem ao lado daquela em que Ana estava confortavelmente sentada.
Sem nem ao menos notar a passagem nas mãos daquele moço de olhos claros e sorriso largo ela pensou: "Espero que sejamos muito mais que apenas colegas de voo". Mas naquele momento, nada foi dito.
Ela apenas sorriu. 

E partiu.




Fim.



*Acho que estou começando a pensar seriamente em escrever um livro este ano. 
Não pretendo ter filhos. Já plantei árvores. Já conclui a pós-graduação. Talvez esse seja o momento. Talvez não. A correria do cotidiano me suga tanto que mal sobra tempo para escrever. Mas, vamos esperar os próximos episódios. Eu disse que hoje não iria escrever sobre mim. Não tenho jeito mesmo: eu posso até criar ou recriar outras cenas, mas a verdade é que eu não sei fugir de mim e mais cedo ou mais tarde, olha a minha cara aparecendo nos textos ;)










quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

E então 2016 chegou

O tempo é mesmo implacável.
Já estamos em 2016 - o tão esperado ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro.
2015 ficou para trás, já virou fotografias do passado nos meus arquivos do computador.
Pra muita gente o ano que passou foi péssimo.
Pra mim, foi surpreendente.
Muita coisa boa aconteceu.
Até hoje a ficha ainda não caiu: estive na Alemanha e na Holanda...
Me tornei mestre.
São coisas que eu não imaginava que aconteceriam há cinco anos...
Mas se concretizou e eu me sinto grata à vida por ter me proporcionado momentos tão maravilhosos.
E no meio disso tudo: as pessoas que eu amo do meu lado, mesmo quando estão distantes geograficamente.
Dentre todas as coisas boas que me aconteceram e as que estiverem por acontecer. A melhor delas sempre foi, é e será: ter ao meu lado essas pessoas que me fazem acreditar que a vida é linda, que vale a pena viver e que tudo vai dar certo.
Eu não sei o que 2016 tem pra mim, mas se essas pessoas continuarem comigo, sei que será um bom ano, independente das minhas vitórias e conquistas pessoais.
Eu não me canso de dizer que minha maior felicidade não está em mim. Minha maior felicidade  são essas pessoas estarem comigo!!! ^^

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Sobre a pesquisa de mestrado ou constelações do universo



Não entendo nada de astronomia, nem de astrologia, e, nem tampouco de psicologia (embora gostaria).

Mas entendo perfeitamente quando esse coraçãozinho bate mais rápido, me indicando que se não tem nada de errado, com certeza tem de impressionado. E quando vejo as estrelas no céu, é assim que eu fico: encantada, impressionada com tanta beleza, com tanta estranheza e ao mesmo tempo com tamanha sutileza essa a do universo, que nos abriga, nos cerca, nos intriga...

Mas, além desse universo maior, há também pequenos universos, como este em que estou inserida agora, e olha só: não pode ser mera coincidência este lugar ser chamado de universidade! A universidade, pela própria origem da palavra, bem como pelo seu significado, nos remete ao universo, o qual se refere ao conjunto de tudo o que existe. E ao pensar em universo, uma das imagens que se tem são as constelações, que, por sua vez, são formadas por grupos de estrelas, as quais durante milhares de anos guiaram os seres humanos em suas viagens pela superfície da Terra. Assim também podemos considerar os professores universitários: constelações que nos guiam para melhor percorrermos nossa jornada profissional e humana.

Ao fazer uma analogia entre professores e constelações, fico pensando nos professores que me guiaram como estrelas para que eu pudesse chegar até aqui...
Fazer pesquisa sobre professores dá nisso: não há como esquecer ou fingir que não lembro dos meus professores que tanto contribuíram para que eu também me tornasse professora.
Eles são estrelas como o sol, iluminando toda a via láctea. Eu ainda sou estrela em formação, tentando entender como é que se faz para iluminar, recebendo o brilho e a luz dessas estrelas-guia.

Pesquisar sobre professores é quase como pesquisar sobre estrelas: você fica fascinado com tanto brilho e de alguma forma, se sente um sortudo, iluminado por Deus!