terça-feira, 15 de abril de 2014

cozinhar e calcular (pontos fracos)


26 anos de idade;
47 kg;
1,48 m de altura;
pressão arterial: 110:80 mmHg

E eu, o que faço com esses números?*

Não me canso de repetir que sou um desastre com cálculos, na verdade não me identifico apenas com os números, mas também com a cozinha: para mim, panelas e temperos são tão complicadas quanto equações de segundo grau!

Eu sou mesmo um desastre!!!
Não sei cozinhar (nem me interesso por aprender);
Não entendo nada sobre porcentagem - no máximo regra de três - e olhe lá!
Mas o pior de tudo: estou sem tempo para escrever... sem tempo de registrar tudo o que se passa aqui dentro, o que observo e venero;
Está tudo de cabeça para baixo!!!

O tempo está passando tão depressa e eu preocupada com números e comidas... A escrita ficou de lado.

A parte boa?
Descobri que não mudaria um milésio do que sou...
Se eu pudesse escolher, seria exatamente assim: sem nenhum ano a menos, nem um quilo a mais, nenhum centímetro a menos e nem pensar numa pressão arterial maior! Se não sei fazer cálculos da mesma forma que não sei cozinhar, e daí? Eu adoro comer e devorar teorias conspiratórias, matemática pura e aplicada só para saber quantas calorias eu ingeri e quantas devo gastar... No fundo eu não tô nem aí... Eu quero mesmo é fazer dos meus pontos fracos mais um motivo para escrever, porque neste espaço, tempo e ambiente eu me encontro, eu me reconheço, me viro do avesso e descanso em paz, no mais perfeito caos!*




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

eu, professora (universitária)


Quando eu era criança, adorava brincar de 'escolinha' e na brincadeira eu era a professora, aquela que tentava ensinar/entender os alunos (ursos, bonecas, desenhos, quadros)...
Hoje, na idade adulta, não consigo me ver em outro ambiente que não seja este: a universidade.
Fico encantada quando, mesmo quem não são meus alunos me chamam de 'professora'. E eu penso: "Meu Deus! Que nome lindo de se chamar! Se eu não fosse professora, daria um jeito para ser, pois é aqui que me reconheço, é aqui que me encontro e me conheço, me embebedo, me encanto e surpreendo".
Não há nenhum outro lugar do mundo que eu gostaria de estar agora, a não ser aqui, estou exatamente aonde eu gostaria de estar, aonde eu sempre quis estar!
Minha profissão é linda, é estimulante, é desafiante, é vibrante, e muito emocionante: não sinto o cheiro de éter, embora há muito suor por aqui, mas eu ainda prefiro que seja assim... Não tenho que fazer cálculos, embora seja necessário saber calcular o IMC (mas, e daí, isso é o de menos, imagine se eu tivesse que fazer cálculos de outras magnitudes?!)...
A Educação Física me salvou, embora às vezes eu tenha sérias e graves dúvidas a respeito de se é realmente isso o que quero, mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza* já dizia o Agagê...
De qualquer forma a docência me perseguiria, se eu tivesse feito Letras (por que não fiz, afinal? já que o que eu mais gosto de fazer é ler?), Biologia ou História, eu seria professora. Na verdade, desde criança eu fui professora, eu só poderia me tornar professora... Advogada, não mais!
Não há nada que eu queira tanto no mundo como a docência. Eu me realizo com meus alunos, o brilho dos olhos deles me faz ter esperança num mundo melhor, me faz acreditar que é possível, que nada está (nem poderia) perdido...
Ser professora eu já sou, agora só me falta ser professora universitária, este é o meu objetivo de vida, de mundo, de esperança... E que neste espaço eu construa e ajude os meus alunos a construir muitas e muitas outras dúvidas, questões que só o tempo poderá responder, enquanto isso eu vou saboreando o gostinho especial de ser chamada de "professora", dessa vez, não no quarto onde eu brincava quando criança, mas agora na universidade - no espaço aonde eu sempre quis estar ;)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

2013 foi embora...


2013 se foi e o primeiro mês do ano de 2014 já se findou também...
O tempo passou tão rápido que eu mal pude sentar para digitar essas palavras (elas estavam apenas em minha mente, mas quem poderia saber, além de mim?)
2013 se foi e com ele foi-se também meus medos, meus anseios, minhas angústias, minhas saudades que só fazem aumentar, me atormentar, me acariciar...

Tudo mudou, mas continuou do mesmo jeito: eu mudei e continuei sendo eu mesma (Clarice Lispector já falou sobre isso) ...

2013 foi o ano de mudar e continuar tudo igual. Pois é, como pode?

Eu saí de lá do meu plácido interior em direção ao litoral, à capital (de outro estado). Mudei de estado, mudei de casa, mudei a rota para a universidade e a rotina de estudos... mudei tanto, que pensei que iria ficar muda! Mas não mudei minha visão de mundo, não mudei de sonhos e princípios. Claro que o peso da idade me fez mudar muito, os anos passam e o amadurecimento começa a me assolar, me asseverar, me assegurar.

2013 foi o ano de me dedicar, de ler, de estudar e de duvidar.

Eu queria tanto o mestrado que em nenhum momento me questionei se eu daria conta, se valeria à pena, se eu iria suportar, se era isso mesmo que era para ser... Isso só foi acontecer depois de muito tempo... Quando eu parei para pensar: já estava com metade do caminho andado, agora é terminar a outra metade (odeio deixar as coisas pela metade, ou é tudo ou é nada, não sou adepta do meio termo - vestígios do radicalismo exacerbado de quando eu era adolescente).

2013 foi embora e eu nem conheço Vitória direito, continuo me sentindo uma estrangeira em meu próprio país. Sou passageira de algum trem, que não passa por aqui, que não passa de ilusão*

Descobri que antes de ser brasileira, sou nordestina e sou baiana. Passei 26 anos da minha vida acreditando no contrário (eu costumava falar: "Oxente, para que isso, guria, uai, tchê, visse" tudo na mesma frase  só para dizer que se eu sou brasileira e, por isso mesmo eu poderia sim usar expressões de diversas regiões do meu país). Mas me enganei! Quanto mais tempo eu fico no Espírito Santo, mais eu falo 'Oxe', mais eu deixo de lado as outras expressões... mais eu me sinto baiana (do interior, por favor!). E a vontade de voltar para minha terra, para meu cantinho, meu lar, só aumenta, só agoniza, só arrasta e atenua.

Quando 2013 começou eu desejei: "Que este ano passe bem rápido para que eu possa voltar logo". E o Senhor do tempo atendeu ao meu pedido. Agora eu quero que 2014 apenas seja um ano bom (meio complicado pedir isso num ano de Copa do Mundo e de Eleições). Mas, enfim, se eu acredito na mudança, porque o ano que já chega ao 2º mês não pode ser bom? No que depender de mim, 2014 continuará sendo um bom ano para se guardar na memória, com carinho e saudade ;)



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

anciã


Olhando as marcas e expressões na pele do meu avô eu noto como eu envelheci...
Parece haver uma troca de papeis e quem era neta passa a ser avó: ele tão cheio de desejos e esperanças e eu tão cheia de vazios e conformismos...
Envelhecer antes de completar 30 anos me parece irreal, insensato... surreal!
Mas, não só de acordo com o resultado do teste de idade mental que fiz em qualquer site sobre o tema me mostra o quão anciã eu sou. Eu insito em procurar rugas no reflexo do espelho e não me canso de procurar fios de cabelo branco em minha cabeleira. Procuro, amiúde a flacidez da minha pele e percebo que há algo de errado nisso tudo: quando eu lembro dos meus 17 anos de idade parece que aconteceu há tanto tempo que nem parece que ainda falta um ano para que se complete uma década...
Eu ouço aquelas velhas músicas, olho para aquelas velhas fotografias e, por mais que eu tente não sinto aquelas velhas emoções. Descobri que envelheci por causa desse tipo de sensação e de uma voz aqui dentro que ruge: "Você não é mais aquela jovenzinha rebelde sem causa que queria mudar o mundo". O mundo eu não mudei, nem poderia.
Mudei apenas o que estava ao meu alcance: eu mesma!
E por mais que a aparência não evidencie ou camufle, há uma anciã em mim, e eu ainda tenho tanto o que viver, que olhando as mãos do meu avô eu me pergunto: "Quem sabe um dia eu consigo ser tão jovem como ele ainda é?".

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A aula não morre


A aula não morre, mesmo depois que termina, ela permanece...
em pedaços de papel, em fragmentos de memória, em olhares, em sorrisos, em cheiros e sabores.
Mas ela floresce, amanhece, amadurece!

A aula não morre, ela fica aqui do lado...
às vezes quieta, às vezes incerta, quase sempre intrépida, quase sempre alerta, inacabada.
Mas continua viva aqui dentro, viva em mim, viva de um jeito indeterminado!

A aula não morre, e mesmo que morra, ela reaparece...
ressurge das cinzas, em um dia nublado, a caminho de casa, ao se observar o movimento dos carros e as andanças das pessoas do outro lado.
A aula surge  num momento de suspensão, em que a cor do céu, o caminho de casa e as pessoas andando ao redor estão todas emaranhadas, todas entrelaçadas, enraizadas, inseparadas e então a aula aparece, como uma prece, como quem carece de reflexão, de ação, de reação!

A aula vive, permanece aqui do lado e sempre reaparece...
Mesmo que se passem dias, meses, anos... (décadas?)
A aula viverá, se levantará e novamente se apresentará!
Só depende de nós para que ela permaneça viva, não apenas na nossa memória, mas para que ela continue diariamente nos ajudando a construir e a modificar a nossa história.

Se não for assim, melhor que ela morra!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

insônia = escrever poesia ^^


Passei a tarde de sábado me embriagando com a poesia de Ferreira Gullar, e quando fui dormir, meus olhos se recusavam a fechar: só conseguiam enxergar os poemas dele, a sutileza, a leveza, a beleza daquelas letras e então, fiquei (ins)pirada. Claro que nada do que eu fiz, faço ou farei chegará ou chegaria aos pés do poeta mor, mas fluiu, de alguma maneira, pariu! E aqui estão os frutos, os herdeiros, os resultados (catastróficos), mas meus! Com minhas digitais e irracionalidades, com minhas percepções e incredulidades, com minhas limitações e infantilidades, mas ainda assim, meus poemas:

É o cúmulo!

Mas, afinal de contas, o que é viver?
Eu vivo acumulando lembranças, livros, discos, letras, sorrisos...
Mas acumular é viver - ou melhor - viver é acumular?
fotografias, imagens, números, lágrimas...

Acumulo tudo o que vejo pela frente: sabor, odor, música, cor...
Mas não sei bem se isso é viver.
Até que um dia encontrei você! E acumulei uma vontade enorme de viver!
Isso é o cúmulo do acúmulo!


Ponto final?

Eu não te conheço
nem me (re)conheço,
aquele início de história
se transformou nesta fúria.

Digo que tenho medo de te perder
mas o medo mesmo é de desaparecer
da sua lembrança, da sua memória,
de não fazer mais parte do seu agora.

O que eu sinto falta em você
não está abundante em mim,
contradição de esmorecer.
Como posso querer ter
o que não sei ser?

Prolonguei o ponto final,
adiei o máximo possível
que chegasse o momento fatal
mas tudo na vida termina,
morre como tem de ser:
irremediável!


Ponto de interrogação.

Não venha me dizer o que eu tenho que fazer,
nem o que eu preciso saber.
Eu me recuso a entender!
Prefiro sair daqui, me perder...

Não venha para cá me avisar que está tudo bem,
antes do seu aviso, tenho uma advertência a fazer:
a realidade corrói tudo o que passa por aqui, muito aquém
do que sonhamos um dia para viver...

Demorei tempo demais para agir, esperei o desgaste da nossa história
Não há mais o que corrigir, minha única dúvida agora
é saber se ela vai se extinguir ou permanecer em sua memória?



Reticências...

Enquanto eu estou aqui,
o que você faz aí?
Quando eu penso em você,
será que pensas em mim?

Quando o sol se põe,
e a chuva cai,
o que você fez quando eu me fui?
se eu for, você vai?

tenho tantas coisas para te dizer:
Foi um prazer te conhecer!
Foi bom estar com você!
o resto, a caneta não me deixou escrever...

Não foi falta de tempo
- nem de vontade
-nem de coragem
talvez tenha sido apenas o desgaste natural
que me deixou perder você...



Três pontos interligados

Madrugada adentro
e eu aqui dentro.
Música tocando
e eu escrevendo.
Você no seu canto
e eu não canto...

Frases feitas, (ditas e malditas)
palavras soltas (escritas e abolidas)
linhas estreitas (e entrelinhas)
ideias loucas (e enlouquecidas)
Nada faz sentido (só o que estou sentindo)
E você, será que já está dormindo?

Já que estou me embriagando de silêncio, venha tomar uma dose comigo!
Passar a madrugada ouvindo música, sem precisar dizer nada...
Acho que já devo estar sonhando, você tão longe...
e eu aqui te chamando.

(madrugada do dia 24/11/2013)
Adrielle Lopes de Souza ^^

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Passado... que não passa!


Eis-me aqui de novo, final de tarde, final de semana, (quase) final de mês, final de ano...

Continuo falando do passado que me vem à memória trazendo consigo um peso insustentável, uma aflição inenarrável, um pensamento incontrolável e um fato imperdoável...

Você vai me dizer que passou, que o passado não volta e  que quem vive de passado é museu.
Mas, eu te digo, com o coração na mão como um refrão de bolero* que o que sou hoje é resultado do que vivi no passado. Então, não me peça para esquecê-lo, não me peça para apagá-lo, nem tampouco ignorá-lo. Costumo dizer que tudo o que sou são os livros que eu li, as músicas que ouvi e as pessoas que conheci. E entre esses fatores tão importantes em minha vida estão todos inter e intra relacionados. Portanto, a literatura me conduzirá ao passado, as canções me levarão para tempos remotos, do mesmo modo que as pessoas que mesmo distantes, mesmo ausentes, mesmo levadas à diante me farão olhar para trás.


Me dou conta que 10 anos se passaram e se eu pudesse apagar tantos erros que cometi no passado faria sem receios. Se eu pudesse voltar essa década, faria tudo totalmente diferente, eu mudaria tudo, inclusive não mudaria a opinião que tenho sobre mudanças. Afinal, elas sempre existirão, sempre existiram...
Me vejo tão presa ao passado, tão acorrentada a este não mais estado de latência, de vivência, de experiência... Estou imensamente ligada e conectada ao meu passado de tal forma que quando fecho os olhos, em questão de segundos, a imagem que me vem na memória são resquícios do que eu deixei para trás, que volta e meia me aparece, me adormece, me enlouquece...


A função principal do passado deveria ser simplesmente passar... mas não passa, fica aqui do lado, na frente, olhando junto com a gente para o futuro, relembrando o caminho que se deve seguir para não repetir o passado...
Porque passado não se corrige, não se apaga, não se deleta, nem se esquece, ele faz parte, está em toda parte, nunca parte...

Humberto Gessinger, acreditei tanto na sua canção quando dizia "Se tudo passa, talvez você passe por aqui". Mas ninguém passa, nem o passado passa!
Mário Quintana disse que "o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente".
E talvez isso justifique a minha insistência em falar do passado, em lembrar e recordar e imaginar que se eu tivesse o poder de apagar, de corrigir, de voltar... Mas como não posso, só me resta transformar toda essa agonia em letras, em palavras, em frases soltas, desconexas e sem sentido, afinal nada vai mudar, a única coisa que eu posso fazer é o que faço agora: ter consciência de tudo o que eu fiz para não deixar se repetir...
Ah! Mas se eu tivesse a oportunidade de viver de novo... faria tudo certo dessa vez... e terminaria com essa minha embriaguez!